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quinta-feira, 15 de abril de 2021

Pedagogia da Autonomia Paulo Freire

 


Paulo Freire patrono da educação brasileira, trouxe muitas contribuições para a metodologia de ensino e de práticas pedagógicas no país e também no mundo, traz a educação em uma perspectiva libertadora e sem opressão, fato este que o fez ser perseguido no regime militar no Brasil. O freire influencia educadores no mundo inteiro, nesta postagens será feitas algumas reflexões sobre o seu livro a Pedagogia da autonomia.

No período militar, a prática pedagógica impedia a liberdade dos discentes, assim como não valorizava suas particularidades e os padronizava, impondo a não prática do pensamento reflexivo por parte de disciplinas como Filosofia e Sociologia. Nesse contexto, o Freire traz uma metodologia de ensino libertadora em que os discentes em suas especificidades devem serem valorizados não como um objeto, mas sim como seres históricos e sociais que possuem liberdade e podem intervir em sua realidade social.

No livro a Pedagogia da Autonomia, Freire traz bastante elementos para compreensão da prática pedagógica, que é relevante para todos educadores seja este progressista crítico ou tradicional, é enfatizado que quanto mais se pratica a educação mais se compreende sobre a mesma.

 O patrono da educação deixa claro que no processo de ensino-aprendizagem, os educadores aprendem ensinando e os educandos enquanto aprendem também ensinam. E isto parte do pressuposto de que o conhecimento do educando deve ser valorizado, e neste contexto se compreende que ensinar não é transferir conhecimento, mas uma possibilidade para sua produção ou construção. 

 A educação é transformadora quando em sua prática não se limita a transferência de conteúdo, esta se faz formando sujeitos conscientes de seus direitos e deveres na sociedade e como a gentes transformadores, porquanto educadores em sua condição de autonomia devem mostrar aos educandos que eles são sujeitos sociais, histórico, com capacidade crítica para se posicionar e intervir no mundo, além de aprendizes de conhecimento, também ocupam a posição de produtores de conhecimento. 

Neste processo freriano nos esbarramos na atualidade, com o Programa Escola sem Partido, uma tentativa de tirar a autonomia dos educadores no seu exercício de se posicionar, de estimular os discentes a intervirem na sua realidade, objetivando em transformar educadores em meros transferidores de conteúdo e os educandos em depósitos dos mesmos, ou seja seres apáticos e como diria Michel Foucault em corpos dóceis e alienados. 

Freire já visava as escolas contemporâneas, visto que o mesmo orienta os educadores ao respeito aos saberes do educando e a sua realidade, bem como não agir de forma discriminatória, pois pensar certo exige agir certo, a teoria deve ser aliada a prática, para que que não haja incoerência na metodologia pedagógica. Padronizar os discentes e coloca-los como em condições iguais é totalmente inviável visto que todos têm suas especificidades, como questões raciais, de gênero e identidade cultural diversas. 

Educador está no lugar da afetividade e referência para os discentes, seu posicionamento deve ser bem explícito e coerente, no processo de ensino-aprendizagem este é mediador, está em processo de formação e está inacabado, porquanto, quanto mais se ensina mais se aprende, se busca e compreende as esferas do conhecimento. Como ser inconcluso em formação, o docente tem a sua autonomia enquanto uma autoridade ligada a dialética.

Ensinar no Brasil exige generosidade, pois mesmo não sendo valorizado como deveriam, os educadores com sua competência, superam as barreiras impostas pelas condições de ensino, como estruturas escolares em deterioração, falta de assistência psicológica, salários baixos e muitas outras situações e cumprem seu papel como mestres que formam sujeitos para atuar na sociedade.  

Assistam o documentário sobre o Paulo Freire!



Anísio Teixeira- Educação não é privilégio

 


Anísio Teixeira foi um jurista, intelectual e educador, responsável por significativas mudanças no sistema de ensino brasileiro, se hoje todos têm o direito ao acesso a uma escola pública, gratuita e laica, isto é sem dúvida resultado da trajetória do Anísio Teixeira. O intelectual do século 20, foi secretário de educação da Bahia implantou escolas públicas e inaugurou a Universidades do Distrito Federal, enquanto secretário de Educação do Distrito Federal da educação. 

O educador Teixeira, foi o grande idealizador da implantação da escola pública no Brasil, como pioneiro lutou pela educação em todos os níveis de ensino, buscando fomentos do governo federal para o ensino nos níveis municipais e estaduais. Atualmente, a memória que se tem da trajetória do patrono da educação da Bahia, é uma história de luta pelos direitos estudantis que inspira e engaja movimentos secundaristas e da UNE(União Nacional dos Estudantes) por direitos e valorização da educação brasileira.


Isto implica que educadores como o Anísio Teixeira, mesmo tendo atuado no século passado, continua a influenciar organizações estudantes pela luta de uma educação pública, gratuita, universal, de qualidade e integral, porquanto, sabe-se que no período vigente a educação tem sido sucateada em todos os níveis de ensino. Como cortes de verbas em universidades federais e desvios de verbas que são destinadas a educação básica. 


Outro ponto a ser ressaltado é que mesmo  Teixeira tendo sido um homem privilegiado em termos econômicos e sociais ele compreende muito bem que o Brasil é um país onde a desigualdade social é latente e se manifesta nas diferenças de oportunidade de estudo, que a meritocracia não existe em meio a esta disparidade social e isto demonstra um dualismo na democracia, que tem como princípio fundamental a igualdade de oportunidade, sendo que não se manifesta de forma categórica na realidade das pessoas.  


Em concordância o filósofo das ruas Eduardo Marinho afirma: ‘'Não há competição onde há desigualdade de condições. Há covardia”. Ou seja, sendo a educação um pilar para a transformação social, as estratificações sociais são antidemocráticas. Ainda a respeito disto Anísio Teixeira afirma que só existirá democracia no Brasil no dia que se montar no país uma máquina que prepara a democracia, essa máquina é a escola pública. 


Se antes a escola era lugar da elite, o Anísio a transformou em um espaço democratizado, um espaço do povo, onde a educação integral abri caminho para os conhecimentos em diversas esferas, valorizando o trabalho manual da mesma forma que o trabalho intelectual, assim surgiu uma outra conjuntura, que foi perseguida pelo autoritarismo, mas resistiu. 


A educação como uma mola propulsora para o futuro era a uma das perspectivas do Anísio Teixeira, e de fato o caminho para o desenvolvimento de um país se passa pelo investimento na Ciência e tecnologia, valorização da cultura, formação intelectual, tendo em vista tudo isso, as escolas e universidades devem serem prioridades para este processo progressista da educação. 


Para Anísio Teixeira, a universidade deveria ser de caráter autônomo, humanista e com diversidade cultural, na perspectiva da liberdade das universidades, pode-se perceber que vários são os ataques que ameaçam a autonomia das universidades no seu caráter institucional, como a tentativa de intervenção do atual presidente em escolher reitores com ideologia conivente com a do presidente para gerir as universidades federais, um exemplo de autoritarismo, inadmissível nos dias atuais, que se assemelha a invasão dos militares na Universidade do Distrito Federal em 1964.  


Para o educador a universidade deveria oferecer uma formação básica geral adequada à sociedade contemporânea, que nos dias atuais pode ser percebida em universidades que apresentam regimes de ciclo, sendo o primeiro de formação geral e o segundo um curso específico, bem como o modelo da Universidade Federal do Sul da Bahia. Ainda para o mesmo, uma universidade moderna, deve ser voltada para a pesquisa e a produção de conhecimento em prol do desenvolvimento nacional. 


O educador Anísio Teixeira foi um homem do século passado, porém seu pensamento é atual, no contexto que se vivência vários dilemas com a educação pública que constantemente é sucateada. 


Assistam agora o documentário Educadores brasileiros Anísio Teixeira !




O que fica do Componente: Universidade e Sociedade

 O componente Universidade e Sociedade, é fundamental para entender sobre a função das universidades em diversos contextos, sendo eles histó...